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domingo, 14 de agosto, 2022

Safra de milho pode render R$ 16,6 bilhões

A colheita do milho segunda safra 2021/2022 atingiu 179.280 hectares, ou 9% do total semeado. Mesmo estando no início da colheita, as projeções para a produtividade e para as receitas estão otimistas. 

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a colheita renderá R$ 16,671 bilhões neste ciclo, 68,10% a mais do que os R$ 9,917 bilhões de 2021. As informações constam no relatório do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP).  

Ainda de acordo com o Mapa, a cultura vai gerar 11,7 milhões de toneladas no ciclo atual. Já a projeção do Sistema de Informação do Agronegócio (Siga-MS) é mais modesta e demonstra 9,34 milhões de toneladas.  

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MS), André Dobashi, a produção não deve ser recorde, porque a área cultivada encolheu neste ciclo.  

“A área dedicada ao milho, neste ciclo, está estimada em 1,992 milhão de hectares, o que representa uma retração de 12,6% em relação à área da 2ª safra de 2020/2021”, explica.

Independentemente da estimativa, ambas ultrapassam o montante colhido no ano passado. Em decorrência das intempéries climáticas, na safrinha 2020/2021 foram colhidas 6,2 milhões de toneladas do cereal.

O boletim Casa Rural, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), aponta que 80,8% da área acompanhada encontra-se em bom desenvolvimento e apenas 6,4% das lavouras são consideradas ruins. Um cenário bem diferente do acompanhado no ciclo passado.

PREÇOS  

O preço médio da saca com 60 kg de milho fechou em R$ 68 no mercado físico de Mato Grosso do Sul, conforme a Granos Corretora. 

O valor representa uma queda de 25,27% ante o maior preço registrado neste ano, em 17 de março, quando a saca era comercializada a R$ 91 no Estado.

O consultor e agrônomo João Pedro Dias explica que o mercado comprador está bem desaquecido em MS. Os fatores sazonais estão entre as principais causas, e a partir do avanço da colheita da segunda safra o cenário pode mudar.  

“Ele deve ficar nesse patamar, o produtor vai vender e fazer caixa, e há expectativa de o mercado mundial mexer com esse preço. Por mais que apresente alta, em MS temos a questão da paridade de exportação, tem que vender o equivalente no mercado interno”, comenta.  

O especialista não vê o preço disparando muito no Estado. Segundo ele, os patamares comercializados estão atrativos.  

“Daqui para frente, vamos fazer estoque. A produção de etanol a partir do milho representa uma demanda muito grande. Temos ainda a produção do farelo, que não tem o potencial proteico da proteína da soja, mas que é uma alternativa de processamento também”.  

“Em época de colheita, a pessoa não vende muito abaixo nem muito acima, se o mercado internacional passar a ser o balizador, aí teremos uma mudança nesse cenário”, conclui.  

Na edição do Correio do Estado de 5 de julho, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, explicou que a intenção é processar cada vez mais o cereal.  

“Nosso objetivo sempre tem sido como estratégia de desenvolvimento a famosa frase de agregação de valor ao produto. Ou seja, transformação. É muito claro que a linha de desenvolvimento do Estado é a agroindustrialização”, comentou.  

A primeira fábrica de processamento de milho para transformação em etanol, que entra em operação em julho, será capaz de processar 1,8 milhão de toneladas.  

VBP

Somando as lavouras e a pecuária, a produção agrícola de Mato Grosso do Sul é projetada em R$ 74,416 bilhões em 2022. O montante é 4,49% menor do que o rendimento do ano passado, que chegou a R$ 77,915 bilhões.  

A queda na renda agropecuária se deve à redução de produção por conta da seca que atingiu Mato Grosso do Sul. As lavouras vão representar R$ 52,656 bilhões, com destaque para o milho, com estimativa de gerar R$ 16,671 bilhões, e para a soja, R$ 26,322 bilhões.  

Já a pecuária será responsável por R$ 21,760 bilhões, com destaque para os bovinos, com estimativa de render R$16,157 bilhões; frango, com R$ 3,681 bilhões; e suínos, com R$ 1,366 bilhão.

Como tem sido mostrado em relatórios anteriores, o VBP regional é liderado por cinco estados: Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás, que contribuem com 63% do VBP nacional. No ranking nacional, Mato Grosso do Sul é o 7º em renda, com 6% do total do País.

No Brasil, o VBP de 2022, com base nas informações de junho, atingiu R$ 1,241 trilhão, 1,6% acima do obtido em 2021. 

As lavouras, com faturamento de R$ 875,50 bilhões, foram as principais responsáveis pelo crescimento da produção agropecuária e apresentaram crescimento real de 5,2%. Sua participação no VBP é de 70%, e a pecuária, 30%.

A pecuária teve uma retração de 6,2%, e seu valor é de R$ 365,71 bilhões. Pode-se atribuir essa redução do valor da pecuária à queda dos preços internos, a qual tem se mostrado acentuada, principalmente para suínos, bovinos e frangos.

R$ 68 a saca do milho

O preço médio da saca com 60 kg de milho fechou em R$ 68 no mercado físico de MS, conforme a Granos Corretora. O valor representa queda de 25,27% ante o maior preço registrado neste ano, de R$ 91.

Fonte: Correio do Estado

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