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segunda-feira, 15 de agosto, 2022

Seca histórica quebra 50% da safra de soja em Dourados; prejuízo de R$ 1,1 bilhão

Maior prejuízo dos últimos 40 anos é de 414 mil toneladas, o que representa R$ 1,1 bilhão a menos circulando na economia local.

Valéria Araújo

A colheita da soja inicia com previsão de quebra de 50% dasafra na região sudeste e sul-fronteira de Mato Grosso do Sul. Em Dourados, as perdas devem ultrapassar 414 mil toneladas, o que representa R$ 1.1 bilhão a menos circulando na economia local. A estimativa é do presidente do Sindicato Rural de Dourados, o engenheiro agrônomo Angelo César Ajala Ximenes. Segundo ele, esta é uma perda histórica. “Nos meus 34 anos de profissão jamais vi um impacto negativo tão significativo como estamos observando nesta safra”,ressalta.


As projeções também são preocupantes no cenário estadual. Além de Dourados, as cidades mais afetadas são: Mundo Novo, Jateí, Japorã, Novo Horizonte do Sul, Taquarussu, Nova Andradina, Batayporã, Itaquirai, Eldorado, Ivinhema, Tacuru, Paranhos e Sete Quedas.


De acordo com análise de Ximenes, as perdas devem ultrapassar 4.7 milhões de toneladas; um pacto de R$ 13.4 bilhões. Essa queda de produção está concentrada na região sul do Estado, onde a estiagem e altas temperaturas causaram abortamento de flores e vagens, resultando em redução do tamanho e peso de grãos.

“O Estado de Mato Grosso do Sul é agrícola e essas perdas afetam diretamente a economia. A redução da produção de soja e milho impacta todos os setores da economia. Aumenta o preço das principais commodities como óleo, ração entre outras e o consumo na área agrícola cai, resultando em menos vendas de maquinários, peças, automóveis, por exemplo”, enfatiza.

Providências


De acordo com o presidente, recentemente representantes do Sindicato Rural de Dourados e a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), estiveram com a ministra Tereza Cristina sobrevoando áreas de significativas perdas no Estado.

Na ocasião, o Sindicato compôs pedidos de autoridades local e ao Governo Federal, que podem minimizar os impactos aos produtores. Dentre elas estão a prorrogação de prazos para a quitação de dívidas com maquinários agrícolas e ajuda do governo federal para a prorrogação de parcelas para o pagamento de financiamentos rurais, sem prejuízo ao limite de crédito.

Decreto
Ainda para ajudar e apoiar os produtores que foram prejudicados com este cenário, o governador Reinaldo Azambuja decretou a situação de emergência em todo Estado devido a estiagem. Esta ferramenta permite que o produtor acione o seguro agrícola, o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e busque prorrogar as parcelas dos financiamentos.

Crédito Rural
De acordo com informações do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em relação ao crédito rural, o Governo Federal estuda o apoio de crédito adicional aos produtores dos municípios em que o estado de emergência foi reconhecido pelo Governo Federal. Já há possibilidade de apoio sem necessidade de autorização do Banco Central, inclusive em relação às dívidas referentes a operações de crédito de investimento contratadas comrecursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),conforme previsto no Manual de Crédito Rural (MCR).


Cobertura do seguro rural
Levantamento preliminar da Secretaria de Política Agrícola do Mapa junto às principais instituições financeiras do crédito rural aponta cobertura significativa de mitigadores de risco para médios e pequenos produtores de soja e milho, com Proagro e Seguro Rural nos estados afetados pela seca. Em Mato Grosso do Sul, o panorama é de 27% decobertura para a soja e de 16,1% para o milho.


Estiagem
De acordo com análise do pesquisador Carlos Ricardo Fietz, da Embrapa Agropecuária Oeste, o clima de Dourados em 2021 apresentou comportamento totalmente atípico, com estiagens, chuvas mal distribuídas, períodos muito quentes e inverno frio.


Conforme ele, grande parte desse comportamento atípico pode ser atribuído à influência de La Niña, fenômeno climático, ativo de janeiro amaio e de agosto a dezembro, ou seja, praticamente todo ano de 2021. Segundo ainda o levantamento da Embrapa, em 2021 ocorreu o mês de novembro com o menor índice pluviométrico da série histórica. Choveu apenas 47 mm, 30% da média. Finalizando o ano, ocorreu em Dourados o mês de dezembro mais quente dos últimos 36 anos.


As chuvas continuaram escassas e mal distribuídas. Choveu apenas 68 mm em dezembro, 39% da média. Em novembro e dezembro, final de primavera e início de verão,eram esperadas chuvas expressivas, próximas a 330 mm. No entanto, houve a terceira estiagem do ano.


Choveu somente 115 mm, aproximadamente um terço do esperado. Nos 61 dias dos meses de novembro e dezembro, os solos permaneceram 53 dias com níveis insatisfatórios de umidade.

Houve predominância de temperaturas acima das médias em 2021 em Dourados, apesar da ocorrência de alguns períodos de frio intenso nos mesesde junho e, principalmente, julho. Como consequência, a temperatura anual média em 2021 foi 23,4 °C, três décimos de grau superior à média histórica, que é 23,1 °C. A chuva anual média em Dourados é de 1400 mm.

Em 2021 choveu apenas 1109 mm, quase 300 mm a menos que a média. Foi o ano com o menor volume de chuvas desde 2001. Chama a atenção que nos últimos três anos, desde 2019, o total anual de chuvas está sendo inferior à média histórica.

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