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sexta-feira, 22 de outubro, 2021

Família taiwanesa toca o único restaurante vegetariano de Dourados

Neste 1° de outubro, sexta-feira, foi comemorado o Dia Mundial do Vegetarianismo. Com o mundo debatendo cada vez mais as questões ambientais, climáticas e dos direitos dos animais, a dieta que exclui da alimentação o consumo de carne de qualquer animal ganha adeptos a cada dia. Em Dourados (MS), apenas um restaurante oferece cardápio diário com refeições ovolactovegetarianas – que contém ovos, leite e derivados. 

O Restaurante Vegetariano Natural surgiu no ano de 2006 e foi administrado por quatro famílias até 2013. Desde então, o negócio pertence apenas a família Chern, oriunda de Taiwan. O casal e seus três filhos trabalham no estabelecimento há 15 anos e contam com três funcionários. A filha, Chern Jen Jen, recebeu o jornal O PROGRESSO, falou sobre o vegetarianismo e contou um pouco da trajetória dela, dos pais (Antônio e Andréia) e dos dois irmãos (Alexandre e Alex).

A família Chern é proveniente da cidade taiwanesa de Kaohsiung, a segunda maior do país, com 2,7 milhões de habitantes. No dia da entrevista Jen disse que o pai estava em Taiwan visitando familiares. Eles chegaram no Brasil há cerca de 20 anos e passaram cinco anos em São Paulo, antes de virem para Dourados por indicação de amigos. Um dos irmãos dela nasceu aqui. 

“Meus pais se tornaram vegetarianos na juventude, quando tinham 20 e poucos anos”, explica a empresária. “Mais pelos animais. Questões ambientais não eram tão fortes naquela época. Foi mais contra a matança, por enxergarem a importância da vida de outros animais”, complementa. Segundo Jen, as questões que envolvem a dieta vegetariana são ambientais, sobre a vida dos animais e também têm relação com algumas filosofias religiosas, principalmente o budismo. 

Nascida em Taiwan, ela diz que o país conta com muita opção vegetariana. Um dos pratos típicos é o ‘Baozi’ ou pãozinho no vapor, um sanduíche comum em países asiáticos. A nação também possui muita influência da cultura e da culinária chinesa. Mas, apesar da decoração oriental e de vários pratos japoneses e de outras nações orientais, ela afirma que o restaurante tem muitos pratos variados. “Acho que temos mais pratos ocidentais que orientais, como tortas, strogonoff e lasanha. Essas são comidas ocidentais. O restaurante tem receitas ovolactovegetarianas, pois tem menos restrições. E também conta com muitas opções para veganos”, analisa.

O Restaurante Vegetariano Natural voltou com atendimento presencial em fevereiro deste ano. “Na pandemia, a gente entregava por pedido no WhatsApp, marmitas e porções. Tivemos menos pessoas pedindo. Nem todo mundo gosta de delivery e pedir marmita. “Nós não tínhamos o serviço de entrega antes. Mas, ainda hoje o pessoal pergunta se tem delivery. A gente ficou um tempo com o iFood para vender porções a noite”, explicou Jen Chern sobre as mudanças no atendimento ao público geradas pela pandemia.

Reducionismo
“A gente ficou muito feliz por ter crescido muito [o vegetarianismo]. Exponencialmente, porque no início acho que, na época, o pessoal era mais restrito, mais reservado. Então não gostavam muito de experimentar sabores novos. Aqui na região, o pessoal come muita carne. Mas, de 2012 para cá, veio crescendo muito os vegetarianos e, aqui, como o nosso restaurante é o único, então o pessoal vem bastante. O público é muito variado”, analisa Jen. 

Sobre o aumento do consumo vegetariano, ela continua: – “agora está mais presente e é mais um dos motivos para não comermos carnes. Quanto mais consumo, mais devastação. O nosso objetivo não é mudar totalmente a cultura das pessoas, mas poder mostrar que têm outras opções de alimentação e, sim, se pode viver bem sem a carne. E, também, o intuito do restaurante é o reducionismo. Porque uma refeição sem carne já pode ajudar a diminuir o impacto”, acredita Chern.

No entanto, a empresária acredita que a maioria dos clientes ainda come carne. “Mas dentro de uma semana, a gente vê que ele [clientes] vem quatro ou cinco vezes. E tem várias pessoas que vieram aqui conhecer. A maioria das pessoas pensam que não tem opção. Têm essa visão do vegetariano. Por exemplo, meus amigos vieram aqui e se surpreenderam que tem muito cardápio, muitas opções, tanta variedade. É falta de experimentar, descobrir. Tem várias pessoas que se tornaram vegetariano depois que vieram aqui conhecer, ver que tem tanta variedade, muitos nutrientes. E, depois, se sentiram estimulados a procurarem receitas para fazer em casa e às vezes perguntar como fazer o prato. A gente dá umas dicas, dicas de canais, começar com coisas simples. Toda receita que tem carne, dá para substituir”, finaliza.

Fonte: O Progresso

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